sexta-feira, 1 de maio de 2009

DIA FRIO


Na cama de alma acesa, o dia encanta, o sol chamando pra brincar, entre um toque e outro, toca o telefone, notícias chegam, continua o embalo, o corpo não pára, no enrosco da saia, ao pé do ouvido com os olhos gulosos, dizendo que ama enquanto levanta, é coisa de vanguarda.
Pensamentos nobres, sentimentos pobres, misturam-se entre a fumaça que já não disfarça, ecoa lá dentro, viagem é coisa séria, vem à tona desejos, detalhes, anseios, revelam-se as mazelas, provocando a loucura do outro, egoístas, afetados por tão pouco.
Falando sem saber a hora, escorre pelo rosto, pelo peito, pela boca as faíscas viram fogo que queima, olhando em volta, quanta coisa não jogamos fora, a fumaça atrapalha, de um jeito tímido colhemos nossos restos sinceros, juntamos algumas tralhas, deixando de lado as migalhas, pensando no que sempre fala: pra sempre!, ou, até o fim.
Aos poucos o fogo passa, ainda restam brasas, mas já não há fumaça.

Douglas Campigotto

5 comentários:

Rique Loneliness disse...

"pra sempre!, ou, até o fim."
Muito bom seu texto, a intensidade dos sentimentos,a conturbação dos momentos, ora vulcânicos em erupção incandescente, ora esfriados no tempo passado que congela...quem nunca viveu isso? Muito bom mesmo. Parabéns. Estou acompanhando seu Blog.

Paloma Riani disse...

Por isso te amo...tanto,pra sempre e até o fim!!!

T. Salieri disse...

Desgustei, e com muito gosto^^

Canto da Boca disse...

O que gosto em teus textos, Douglas, é que do aparente despretensioso, temos uma infinidade de sensações, (des)caminhos e pulsações.
Um beijo grande!
;)

Antonio Rosa disse...

Alma acesa pra caralho.