terça-feira, 31 de agosto de 2010

PERVERSA IRONIA



...o toque não depende do tato, depende do ato, o gosto não existe sem provação, depois da pele, vem a carne, esfolada, vem o osso, a alma abalada, roupa rasgada, tecido retorcido entre as ferragens e a história sendo tecida, a Mãe perdendo a vida depois da filha, devia ser coisa proibida, desespero tomando conta de quem passava, todos torciam pela vida, mas aquele corpo teve a alma arrancada e era a morte o que preferia, seus gemidos de dor misturavam-se as sirenes e as lágrimas foram vistas em muitos rostos, a sinfonia do dia a dia, toda daquela gente disposta que se importa mas não sabe o que fazer, alguém ajoelhou-se e tentou medir o pulso, um impulso tardio, já era tarde, eu vi seu olho fechando, seu rosto caindo de lado, quem viu nunca mais assoviou, o mundo a toque de caixa e numa mínima falha, fora da faixa, asfalto com graxa, que batida... gente pobre ou rica? não importa, naquela hora só importava a vida, todos perplexos analisando o estrago, e a perversidade da ironia, era seu Pai que dirigia o carro...

Douglas Campigotto

3 comentários:

Di* disse...

Demais, Douglas... Quase pude estar lá com teu texto.

Beijo!

Taíme disse...

gostei! :)

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Sucessão intensa e de uma fluidez que se lembra o ardor da notícia excede muito em arte... belíssimo!