sábado, 4 de outubro de 2008

OSSO CRÚ


ESPERANDO SE APRENDE A ARTE DE ESPERAR
O AGUARDO PARA SER ANALISADO
ESCAMOTIADO, INSERIDO
ENVOLVIDO ENTRE MIL
RECEBE UM OLHAR
UM PARECER
UMA PALAVRA
APAGA O BRIO
ANGUSTIA, REALIZA
SAI CORRENDO, SEM RUMO
SENTE A BRISA
FAZ O CABELO FLUTUAR
AS LAGRIMAS ESCORRIDAS
NO ROSTO NÃO PARAM
SECARAM
FEITO UVA PASSA
SENTIMENTO SENTIDO
AINDA NÃO PASSOU
TUDO PASSA
UMA HORA PASSARÁ
LONGE DO NINHO
FICA DIFÍCIL IÇAR
VOANDO FOI QUE DESCOBRI
NÃO FOI FÁCIL
DE ASA QUEBRADA
CHEGAR ATÉ AQUI
MOSTRAR A FUÇA
DAR A TAPA
A FACE
MERGULHAR
A CARA
TRANSPARENTE DE TÃO LAVADA
ALMA EXPOSTA
FERIDA
CARNE RASGADA
PEITO EM CHAMAS
ME CHAMA QUE EU VOU
CHEGA DE TORPOR
VOLÚPIA, ESQUIZOFRENIA, EPIFANIA
PALAVRAS DIFICEIS
EXISTEM AOS MONTES
POUCA GENTE CONHECIA
MAS FALAVA
FINGIA, MOSTRAVA
SEM SABER
O QUE FAZIA
NEM PORQUE DIZIA
E PORQUE LÁ ESTAVA...

Douglas Rosa

3 comentários:

Vâmvú disse...

Intenso... verborrágico... muito bom!

Canto da Boca disse...

Mas fingir, sabiam. Nem sabiam o que diziam, mas há que se dizer qualquer coisa, só por dizer, para mostrar que sabiam, que sabem. Ninguém sabe é de nada, isso eu sei.
:)

Laís Eva disse...

demasiadamente intenso!
e a figura!
melhor não tem.