Douglas Campigotto
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
PELO NÃO PELO SIM
Douglas Campigotto
terça-feira, 14 de agosto de 2012
VEZES MIL
as vezes da uma saudade de dizer eu te amo
as vezes da vontade de beijar
então eu beijo, eu abraço
mas não amo
as vezes
Douglas Campigotto
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
BOTECO
Na mesa do bar
Não te encontrei
Não vi ninguém
Com o garçom
Fiz confissão
Na mesa do bar
Com meus amigos
Chorei amores
Joguei com a sorte
Perdi a mão
Já fui traído
Já fui ferido
Brinquei com a morte
Sofri de paixão
No fundo do copo
Te procurei
Não te achei
Caí no chão
Não te esqueci
Eu me perdi
Te peço perdão
PASSARINHO BEIJADOR (releitura)
tadinho
passarinho
acho que era
um beijador
não percebeu
ingênuo
era de plástico
passarinho
acho que era
um beijador
não percebeu
ingênuo
era de plástico
sua flor
partiu
sem ganhar um beijo
levando no peito
um punhado de dor
tadinho passarinho
ingênuo e sonhador
partiu
sem ganhar um beijo
levando no peito
um punhado de dor
tadinho passarinho
ingênuo e sonhador
Douglas Campigotto
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
TANTA COISA
Douglas Campigotto
quinta-feira, 26 de julho de 2012
REMENDOS
um ponto se abriu
vimos pela costura
um retalho infantil
entre a carne dura
olhando agulha e fio
foi fácil entender
porque partiu
esquecemos de coser
SURPRESA
Douglas Casmpigotto
segunda-feira, 23 de julho de 2012
TALENTOUS
Douglas Campigotto
sexta-feira, 20 de julho de 2012
EU
Douglas Campigotto
SAUDADE
dentro do metro
um telefone toca
te procuro sem achar
o quanto me toca
mesmo
apenas seu toque
em qualquer volume
adoro seu tocar
em qualquer momento
nesse me contento
com o toque
do teu celular
Douglas Campigotto
um telefone toca
te procuro sem achar
o quanto me toca
mesmo
apenas seu toque
em qualquer volume
adoro seu tocar
em qualquer momento
nesse me contento
com o toque
do teu celular
Douglas Campigotto
sábado, 14 de julho de 2012
CORRE"DORES"
...no corredor esperando por um leito, enquanto babava, entre enfermos, enfermeiras e muita gente de contas pagas, tendo que passar por mais uma prova, sem poder se jogar fora, sem poder, pacientes terminais olhavam para o nada, como que vissem uma passagem pra fora dali, de si, qualquer coisa menos o agora, com luvas infladas feito bola, não é possível brincar, aos pouco fui entendendo, calcanhares esfolados de tanta cama, bolha de sangue, entendi a sonda, vi o sebo, convivi com a murrinha, e aquele cheiro, o hálito que já não enjôa, ojeriza de outrora agora me faz pensar, um pensamento triste, não há nada de prático numa hora dessas, muitas práticas, táticas do jogo. Até hospital tem seus parasitas, seus hóspedes ilustres, os habituês, na cadeira de rodas sondava quem ia passando e indagava na medida que sua desconfiança crescia, "tem um pacote de bolacha aí?!" alguns diziam que ele havia quebrado a própria perna, é rir pra não chorar, tanta miséria, tantos guerreiros, tantos, vejo Lulas, Josés, Reinaldos, ovacionados como bravos, saibam que Antonio é foda, comeu pão sovado, feito rato, num canto, ele e tantos, bons, mas sem os melhores acompanhando, sem dignidade, implorando por exames, de cabeça raspada, costurada, no fio na navalha, de fraldas, punk! Nada de colorido, nem o lençol, apenas as feridas, expostos, fracos, empilhados numa sala, um feixe de sol entra, mas o frio não passa, sorte de quem vai, sofre quem fica, pena de quem tenta, mas não consegue partir, passar de porta em porta, ver gente boa, gente má, maltratada, magra, sem afeto, com expressão de nada, gente velha, gente nova, gente, uma garota que aparenta 13, outro acabou de casar, o gigante, vizinho de quarto, alemão, só faz esperar, os gemidos de dor são uma sinfonia dispensável, para quem escuta, pra quem sente é necessário, uma alívio temporário, as vezes imaginário, um alento em meio a tanto sofrimento, os sorrisos desaparecem a medida que as luzes se apagam, alguns poucos conseguem descançar, é então que constato, que a tristeza sabe falar...
Douglas Campigotto
AVÔA PAPAI AVÔA
Meu pai está morrendo, nesse exato instante, enquanto escrevo, ele morre um pouco, não é possível fazer mais nada, nesse momento, seu cérebro, do tamanho de uma maçã, cresce o tumor, começou no reto, por caminhos tortos, tortuosos, no pulmão se instalou, como se viajasse através do ar, encontrou na garganta um lugar pra morar. Aos poucos foi expandindo seu território, dominando aliados próximos, não podíamos imaginar, uma doença tão voraz, com nossas poucas defesas foi violenta, de forma abrupta, sem pedir licença, conquistou o cérebro, que está sucumbindo a sua presença, o topo da pirâmide foi dominado, onde a ajuda não pode chegar, agora todos esforços são em vão, devagar e de forma silenciosa, derrubou esse touro, foi certeira, cabeça dura não pode com essa doença traiçoeira, nossa última esperança, depois de muitos coices, olés e espetadas, chegou a hora, o touro não enxerga mais nada, evacua na hora errada, já não fala, não sabe se o hoje é o agora, nem porque chora. A pouco contava causos, com um pé na morte, nos fazia morrer de rir com suas piadas infames, que ironia, de vista vendada, as lágrimas escorriam em câmera lenta, como se nos dissessem, não mereço, não fiz nada... Ninguém fez meu pai, ninguém, nem eles, nem nós, nem você, nem eu, fizemos o que dava, vivemos vendados por nós e por tantos, aos trancos e barrancos nos entendemos, tive que te odiar pra te amar, crescer pra te entender, te conheci no leito, um pouco antes talvez, naquela inesquecível viagem que mudou nossos rumos, sempre soube que era o mais forte, sempre, o mais rígido também, mas, nunca imaginei que de você viesse toda minha pirraça, mamãe contagia, mas você, nostalgia, leva na graça... na grosseria, no medo, na raiva, esses eu conheci bem, que o diga, seu vizinho de quarto, que com a enfermeira faltou ao respeito, e você mesmo sem conseguir abrir os olhos, esbravejava, os presentes o admiraram por falar o que todos queriam, mas ninguém falava, terminou o sermão dizendo, "e se você não se desculpar agora, levanto daqui e te encho de porrada!!!", detalhe, estava com as pernas praticamente atrofiadas, vai vendo... Baixinho, parrudo, enfezado e engraçado, mil histórias, mil faces, mil coisas, acho que não vai dar pra conhecer todos “você, perdemos algum tempo ali atrás, ah se o tempo pudesse voltar pra gente dar novas cabeçadas. Se tiver que ir, vai em paz, chega de sofrer, leva meu amor, perdão e gratidão, nos vemos ali na frente, em outro ano, em carne, osso, em nada, alma penada, de diferentes tamanhos, amo você.
Douglas Campigotto
Douglas Campigotto
quinta-feira, 12 de julho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
PASSARINHO BEIJADOR
passarinho
acho que era
um beijador
não percebeu
ingênuo
era de plástico
sua flor
Douglas Campigotto
terça-feira, 19 de junho de 2012
AGORA
Douglas Campigotto
ANGUSTIA FOI PASSEAR
A angustia
Pediu pra ficar no quarto da razão
Eu disse que sentasse
No colo do coração
Coração pediu arrego
Pulmão logo acalmou
Estômago sentiu a pressão
Fígado viu que o corpo sofria
Fígado viu que o corpo sofria
Falou alto para seu amigo
Cérebro!!!
Pare de pensar
Angustia se levantou
E foi pra rua passear
Douglas Campigotto
segunda-feira, 18 de junho de 2012
ME AND YOU
na raiva que você me faz
na falta que você me traz
na fala que são apenas palavras
nas minhas e nas suas falhas
não sei se te quero tanto
faz bem até não fazer mais
transborda sem ter pra onde
nem pela frente nem pelas costas
nada satisfaz
o ouvido já não esconde
a boca só faz falar
as roupas que já não servem
os pratos principais
ainda quero
mas tristemente
desconheço sinceridade
nesses dias de sol escuro
falta claridade
lembro de como somos
fico pensando
acho que está ficando tarde
para brincar
Douglas Campigotto
sábado, 16 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
FINAL FELIZ
ele concha dura
ela colorida
ele ranhura
viveram felizes para sempre...
Douglas Campigotto
domingo, 10 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
TAXAS
sou de dedução
não quero a sua
verdade
quero a nossa
me faça perguntas
te darei respostas
não
as que você gostaria de escutar
suas palavras
seduções
já não enganam
não quero conversar
quero você de quatro
muito vinho
muito cigarro
não preciso estar por cima
quero sua alma
me ache um monstro
me taxe de louco
me tire pra brincar
não
provoque minha loucura
não pergunte
não sou de explicar.
Douglas Campigotto
terça-feira, 22 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O TROCO
Douglas Campigotto
POSSESSÃO
Foi aonde?
Onde?
E essa roupa?
Perfume novo?
Ta com o cabelo molhado porque?
Ah tava chovendo...
O que? Esse batom na minha gola?
...
Não queira virar o jogo!!!
Douglas Campigotto
domingo, 29 de abril de 2012
CEDA
- tem Smoking?
- Smoking... acho que tem, peraí
(PROCURA NÃO ACHA NADA, VAI ATÉ O GERENTE QUE SE PRONUNCIA)
- pois não senhor...
- tem Smoking?
(tempo)
- Smoking é uma bebida né???
Douglas Campigotto
quinta-feira, 26 de abril de 2012
TANTOS NÓS
...nosso pra sempre que não acaba, somos namorados, amantes, criados, cuidados, permanentes, presos, soldados, principe, princesa, corados, soltos, somos, emaranhados, descolados, sapos, dragões, escorpião, gnomos, giramos feito pião, casados, rei e rainha, temos força feito peão, no lombo do touro, mau agouro, vício, delícia, artistas, palhaço, malabarista, barman, bailarina, poeta, profetas, manobristas, popozuda, somos tudo, luz, loucura, medo, ouro, escuro, semente que vai germinar, que já germinou, que não pára de frutos dar, somos tudo, eu, tu, alguns, indiferentes, free way e contramão, somos laços, somos nós e tantos outros, drogas, dark, trash, old, junk, punk, rock and roll, somos, bossa nova, samba, zeca, chico, cazuza, ney, angela, cartola, dorival, groove, soul, somos alma, acerto e traições, porrada, calma, dúvidas e convicções, sãos, somos loucos, afoitos, cautelosos, zelosos, perigosos, comparsas, gozo, ferro e fogo, faca e queijo, pingo e jorro, meio, inteiros, pelos cantos, assim somos nós, aos prantos, separados, juntos, felizes, somos tantos rindo disso tudo...
Douglas Campigotto
Douglas Campigotto
domingo, 22 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
CASAMENTO DE NARCISO
...estar casado consigo mesmo, evita brigas, mas depende da fase, isso é coisa de vanguarda, casamento moderno, como em toda relação, tem seus altos e baixos, uma coisa de louco, outro dia brigamos, eu queria ir e ele ficar, eu queria comer e ele não queria engordar, nem doce, nem salgado, acabei amargo, chamei pra cama, tava dormindo em pé, só pra contrariar, ele que não queria ficar deitado, não é fácil sabe, principalmente com ele, que se faz de difícil, a convivência é reveladora, mesmo quando o outro se esconde da relação, estar casado é assim, nem pouco bom nem muito ruim, porém, o divórico de si mesmo, pode ser uma dor de cabeça, uma vez que essa com certeza vai discordar do coração, cabeça prum lado, coração pro outro, o corpo fica em pedaços, coisas desse tipo, coisas da vida, um dia juntos, no outro ferida...
Douglas Campigotto
Douglas Campigotto
terça-feira, 10 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
CARTA A MANOEL
quinta-feira, 5 de abril de 2012
ILUSÃO CÔMICA

atrás de suas pernas me encontrava
entre deixas, barulho e falas
cavalgavamos eu e toda trupe
num embalo que nos une
e eu atrás de suas pernas
acompanhado deles e delas
nosso mestre dorme enquanto pode
e nós feito baratas cascudas
perambulamos pelos cantos
na coxia somos frágeis
despidos de nós mesmos
com as cordas aquecidas
alguns ensaiam
outros com seus tragos
ouço batidas e passos
aguardando pelo terceiro sinal
sinto aromas
que se misturam ao mofo
e o perfume das donas
mas aqui quem manda somos nós
o palco nos faz soberanos
a ordem do dia é se divertir
que abram as cortinas
o trem vai partir.
Douglas Campigotto
sábado, 10 de março de 2012
ETERNO COMPANHEIRO (releitura)

vi algo que não queria, vi a vida encarando a morte, parecia o combate do século, mas não houve luta, elas ficaram se olhando, uma eternidade que durou 20 minutos, não discutiram, não se estranharam, ao contrário do que eu sempre fantasiei em meus pensamentos, não houve briga, o silencio selou o acordo, a vida foi se entregando aos poucos, encontrou amparo nos braços da morte, deitada em seu colo, ainda era possível ouvi-la suspirar, que encontro... Amigas desde sempre, a vida foi carregada pela morte, que caminhava a passos largos, não por medo de perder a passagem, pois sabia que agora, o tempo estava do seu lado, tinha pressa pra chegar logo na festa surpresa que havia preparado.
Douglas Campigotto
quinta-feira, 1 de março de 2012
ASSOMBRADO

pra estar comigo voce precisa querer estar
pra estar comigo tem que estar
pra estar comigo
as vezes nem eu consigo
me ignoro
fico em silêncio
finjo que não existo
mudo a ponto de não falar
evito minhas sombras
é difícil se enxergar
queria me ver com outros olhos
nesse momento não consigo
tente entender
só não consigo me suportar
de um dia para o outro
o peso aumenta o tamanho
transbordo vazio
adulando as perdas
remoendo os ganhos
o sol lá fora e eu aqui branco
as vezes aos prantos
as vezes cantando
será que amo
na dúvida
fico aqui esperando
fazer as pazes comigo
Douglas Campigotto
domingo, 22 de janeiro de 2012
TENTATIVAS
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